São José é o Padroeiro dos nossos seminários de Vila Viçosa e de Faro, e, dalgum modo, de todos os seminários da Igreja. Foram os Padres Operário Diocesanos quem começaram, na Espanha, a tradição de fazer da Solenidade de São José o “Dia dos Seminários”
Mas há outra razão mais profunda que faz de São José o Padroeiro de facto e de jure de todo e qualquer Seminário. Vejamos...
São José pertencia à tribo de Judá e à casa de David. Embora tivesse sangue de reis, tinha-se estabelecido em Nazaré, uma aldeia escondida e pobre da Galileia. O seu ofício de modesto carpinteiro era fazer arados de madeira e outros utensílios rústicos para a gente do campo.
Em Nazaré deve São José ter conhecido Maria, jovem da sua tribo, modesta como ele, espiritual e recolhida. O Espírito Santo uniu aqueles dois corações e eles amaram-se com o amor mais puro que pode haver entre criaturas de Deus. Combinaram o matrimónio e deram entre si palavra de que haviam de conservar perpétua virgindade. São José, homem bondoso, pensou unicamente na felicidade da Virgem. Deus inspirou-lhe que devia ser o amparo daquela jovem cândida e inocente.
José não era velho, como o representam geralmente os artistas. Se Maria tinha quinze anos quando a desposou, José andaria a volta dos vinte, ou trinta quando muito. Na pintura dos quatro primeiros séculos, a figura constante de São José é a de um jovem imberbe. Os planos de Deus sobre ele eram que fosse o sustentáculo material da Sagrada Família e o amparo da honra da Virgem Maria. Isto exigia um homem novo, com forças, e não um velho. A castidade não é fruto precisamente da idade, mas da virtude e da graça, que se mostra muitas vezes mais forte nos jovens do que nos velhos.
Como observa o Evangelho de S. Mateus, José era homem justo e cumpridor exacto da Lei. Perante a evidência da maternidade da sua desposada, tinha dois caminhos para quebrar os desposórios. Um era o caminho legal, que prejudicava Maria; outro, o caminho privado, rompendo secretamente o compromisso dos desposórios. Escolheu o segundo caminho, como homem bom, para não prejudicar sua desposada. O Anjo do Senhor veio em defesa de Maria e revelou a José o mistério: ela tinha concebido por virtude do Céu. José acreditou e tomou consigo Maria. Desde agora amá-la-á mais profunda e ternamente.
Como todo bom esposo e pai de família, entrega a sua vida pelo bem da Esposa e do Filho. Maria e Jesus dependem de José em tudo: na viagem de Nazaré a Belém, na fuga para o Egipto e durante toda a vida oculta de Jesus na casita humilde de Nazaré.
Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, formou-se, primeiro, “na casa de seu Pai e sob a guia do Espírito Santo” e, também, na casita de Nazaré, o primeiro seminário na terra, com uma equipa formadora de luxo: Maria e José.
Se a formação sacerdotal é configuração com Cristo, Cabeça e Pastor, todo e qualquer seminário, mutatis mutandis, deve assemelhar-se àquele que integraram Jesus, Maria e José. Eis aqui a estreita relação entre São José e os seminários da Igreja.
Em Nazaré deve ter morrido José, quando Jesus ficou “formado” e chegado à idade de poder trabalhar para Si e para a Mãe. Tinha terminado o papel de São José como formador de Jesus e guarda da virgindade e da honra de Maria. Cumprida a sua missão na terra, o servo bom e fiel “entrou no gozo do seu Senhor”
De lá, do Céu, São José é o Guarda e o Patrono da Igreja, Família alargada na terra da Sagrada Família de Nazaré. Como membros da Igreja e da “casa josefina”, que é todo e qualquer Seminário, ambas confiadas aos desvelos de São José, todos podemos e devemos recorrer a Ele na segurança de seremos atendidos!
• São José, magnífico esposo de Maria, rogai por nós!
• São José, maravilhoso pai de Jesus, rogai por nós!
• São José, modelo de profissional honesto e serviçal, rogai por nós!
• São José, Padroeiro dos nossos Seminários, rogai por nós
• São José, rogai por nossos familiares, amigos, benfeitores e por todos nós, para que aprendamos de Vós a viver na escuridão da fé e na alegria do serviço humilde!
P. Vicente Nieto, reitor