Resenha histórica do Seminário Maior de Évora

O edifício que actualmente é sede do Seminário Maior de Évora, nasceu em consequência de um sonho do Cardeal D. Henrique, o primeiro Arcebispo de Évora, após a elevação do Bispado Eborense a Arcebispado Metropolitano.

O Cardeal D. Henrique criou sucessivas instituições destinadas ao aperfeiçoamento cultural do Clero. As mais importantes foram, sem dúvida, a Universidade do Espírito Santo, com a sua prestigiadíssima Faculdade de Teologia e o Real Colégio da Purificação. Curiosamente, estas duas instituições marcam no tempo da actuação do Cardeal D. Henrique em Évora, a primeira e a última instituição por ele criadas. O ilustre purpurado e benemérito de Évora não chegou mesmo a ver a conclusão definitiva do Real Colégio da Purificação, seu “Benjanim”, como lhe chamou Francisco da Fonseca.

O Real Colégio da purificação abriu as suas portas a 25 de Março de 1593 e recebeu os seus primeiros alunos, mesmo sem estar concluído todo o edifício. A construção estava ainda em fase atrasada. Começou como um colégio universitário, ali viviam alguns alunos da faculdade de teologia da vizinha universidade. Na sua maioria eram já clérigos, por isso António Franco em “Évora Ilustrada” lhe chamava “Seminário de Párocos”. O objectivo fundamental desta instituição era óbvio: formar sólidos evangelizadores para o Alentejo e para a Nação. O plano inicial de ocupação era de 50 alunos e estes seriam oriundos não só da Arquidiocese de Évora, mas de todo o Portugal e mesmo do estrangeiro.

Em 1759 este sonho teve um interregno. Com a expulsão dos Jesuítas e com o consequente encerramento da Universidade de Évora, o Real Colégio foi obrigatoriamente encerrado. Graças à atenção por D. Maria I ao clero, povo e nobreza de Évora, o edifício quinhentista foi entregue, por Carta Régia de 1 de Março de 1784, aos Padres Lazaristas, que fieis ao carisma fundacional S. Vicente de Paulo, se dedicaram com especial esmero à formação do clero e às missões populares. Passou a chamar-se Seminário da Cruz, ou da Congregação da Missão.

A vida desta instituição de orientação vicentina, havia de encerrar a 28 de Maio de 1834, quando as ordens religiosas foram extintas em Portugal por simples e injusto decreto. Também os padres vicentinos tiveram que partir e o Seminário e Évora que encerrar…

Foi em 1850, que o Seminário reabriu provisoriamente no Convento do Carmo, junto à igreja da mesma ordem, passando em 30 de Abril de 1854 para o então melhorado edifício do Colégio da Purificação. Era Arcebispo de Évora, D. Frei Francisco da Mãe dos Homens Anes de Carvalho, vindo da ordem Agostiniana.

Com a primeira República e pela Lei da Separação de 20 de Abril de 1911, o Estado de caris massónico, confiscou todos os Seminários com todos os seus bens. A título de empréstimo, o Seminário de Évora foi cedido à Arquidiocese, primeiro gratuitamente, mas pouco depois em troca de uma renda anual de 500$00. Com Sidónio Pais o Seminário passou de novo a ser de renda gratuita. Só em 1940, e pela assinatura da concordata, o edíficio foi de novo entregue, em forma de posse plena, à Arquidiocese de Évora.

Ao inaugurarem-se as recentes obras e melhoramentos realizados naquele edifício quinhentista, apercebemo-nos que se trata de um acontecimento de verdadeiro significado histórico. Após as obras de D. Frei Francisco da Mãe dos Homens Anes de Carvalho, no século XIX, e das adaptações de D. Manuel Mendes da Conceição Santos na primeira metade deste século, as obras inauguradas são dignas de registo.

P. Francisco José Senra Coelho

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